QUAL MARIA ?
O amparo da Lei Maria da Penha a mulheres transexuais, transgêneros e travestis
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Herbe Discórdia
Herbe de Souza é professora do ensino fundamental de uma escola municipal de Caieiras, na grande São Paulo. Ela é educadora desde 2002 e adora dar aula para crianças. Contando assim, parece que ela é uma mulher comum. Sim, Herbe é uma mulher como qualquer outra, mas que, durante toda a vida, precisou lutar contra o preconceito.
Herbe Discórdia, como é seu nome social, é uma travesti que, aos 23 anos de idade, se assumiu como mulher. Hoje, aos 36, ela afirma: "É mais fácil discordar do que estar 'correto'".
Sobre a descoberta da transexualidade, a professora conta que é uma questão de ir se conhecendo com o tempo. "Só fui me entender mesmo com uns 23, 24 anos, mas a aceitação foi só agora, aos 30 anos". Já em relação à família, Herbe diz que nunca precisou contar sobre sua identidade de gênero, porque sempre se sustentou e não devia satisfações a eles. "Ninguém interfere muito na minha vida porque entra na discórdia", explica ela.
Os preconceitos que sofreu ao longo da carreira de professora sempre foram muito velados, conta Herbe. Por causa do bom relacionamento com diretores, coordenadores e colegas, ela diz que sempre foi blindada dos comentários que a discriminavam.
Para as crianças, a educadora ensina desde cedo que todos são iguais, independentemente de gênero, cor ou orientação sexual e garante que nunca teve nenhum tipo de problema com comentários das crianças. "E, se algum aluno me perguntar, eu respondo sem o menor problema", esclarece ela. Ela explica que tenta mostrar o que está, de fato, por trás do discurso da igualdade.
Ao longo de sua vida, não só no trabalho Herbe teve problemas. "Eu comprei um carro para fugir da violência e do assédio". Ela diz que a parte psicológica já é muito difícil, porque, muitas vezes, a pessoa trans não entende o que está acontecendo com seu corpo e com seu desejo, mas o preconceito na rua é a pior parte. "Eu me blindei para não ter contato com homens na rua. Já fui assediada dentro de trem [da CPTM], chegaram a ejacular na minha roupa", lembra a professora. Herbe ainda diz que preferiu passar a evitar lugares públicos porque corre o risco de que as pessoas ainda digam que a culpa das agressões é dela, por estar provocando os homens. "É perigoso e cansativo. É viver perigosamente".
Hoje em dia, Herbe Discórdia tem muita clareza ao falar sobre como se identifica: "Agora, eu sei exatamente o que eu sou, eu sou travesti, mas eu vou mudando a cada dia". Para ela, não é necessário se adequar aos rótulos. "Sou travesti não binária e não sigo padrão nenhum", explica. "Eu sou o que quiser, não fico tentando seguir regras".

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