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Aline Marques se prostituiu durante 22 anos. Não por preferência, mas por falta de opção. Ela é travesti e conta que, apesar de, na teoria, todos terem oportunidades iguais, não é isso que acontece na vida real. "Eu cansei de distribuir currículo, eu cansei de buscar emprego", conta ela. Aos 16 anos de idade, Aline foi para rua para poder se sustentar. "Uma amiga minha me falou 'olha, infelizmente você não recebeu nenhuma proposta até agora. Você vai ter que ir pra rua'. E aí eu fui levando, na verdade, por causa da minha juventude, na esportiva, na brincadeira", lembra ela. "Ao mesmo tempo que aquilo me revoltava, eu tinha que aprender a me conformar, porque eu não ia ter uma outra oportunidade".

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Hoje, Aline é articuladora do Centro de Cidadania LGBT da prefeitura de São Paulo e, ainda assim, sofre preconceito por ser trans. No começo do ano, quando teve que ser hospitalizada, (...)

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Ser LGBT não é fácil. Ser o “T” da sigla, deve ser menos ainda. Imagine, então, ser uma mulher transexual em um ambiente como a Faculdade de Medicina da USP? Sim, a que está dando, em 2016, um diploma de médico a um estuprador.

 

Alice Quadros tem 23 anos, está no terceiro ano do curso de medicina da FMUSP e se assumiu como transexual em seu primeiro ano de faculdade, quando se sentiu pronta, tanto devido a um subsídio teórico quanto à autonomia financeira, para “dar uma voadora no peito da família” e se assumir como é.

 

Ela começou a perceber que não se encaixava na lógica genitalista que lhe foi imposta aos 11 anos de idade. Para ela, ser trans não é estar insatisfeito com o próprio corpo, ou querer usar determinada roupa, e sim uma reivindicação política (...)

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Herbe de Souza é professora do ensino fundamental de uma escola municipal de Caieiras, na grande São Paulo. Ela é educadora desde 2002 e adora dar aula para crianças. Contando assim, parece que ela é uma mulher comum. Sim, Herbe é uma mulher como qualquer outra, mas que, durante toda a vida, precisou lutar contra o preconceito.

 

Herbe Discórdia, como é seu nome social, é uma travesti que, aos 23 anos de idade, se assumiu como mulher. Hoje, aos 36, ela afirma: "É mais fácil discordar do que estar 'correto'".

Sobre a descoberta da transexualidade, a professora conta que é uma questão de ir se conhecendo com o tempo. "Só fui me entender mesmo com uns 23, 24 anos, mas a aceitação foi só agora, aos 30 anos". Já em relação à família, Herbe diz que nunca precisou contar sobre sua identidade de gênero, porque sempre se sustentou e não devia satisfações a eles (...)

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Aline Marques

Simmy Larrat

Symmy Larrat é a primeira mulher trans a assumir a coordenação-geral de Promoção de Direitos LGBT, na Secretaria de Direitos Humanos de São Paulo. Mas antes disso, ela teve que enfrentar todos os obstáculos que uma mulher transexual encontra para se reconhecer e ser reconhecida.

 

De família católica, ela afirma que desde a sua infância no Pará já sentia que era diferente. Um dia, ela conta que encontrou uma revista da Playboy com a Roberta Close na capa, antes da modelo e atriz brasileira fazer a transição. Em uma das fotos, havia a pergunta “É menino ou menina?”. “Eu me identifiquei imediatamente com aquilo”, diz Symmy.

 

Mas a consciência do que significava ser uma mulher transexual só chegou na adolescência. Com cerca de 15 anos, (...)

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Herbe Discórdia

Alice Quadros

Foto: Secretaria de Direitos Humanos de São Paulo

Foto: Marcello Casal Jr // Agência Brasil

Foto: Marcelo Brandt (http://www.marcelobrandt.com) // G1

Foto: reprodução

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